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Nireu Cavalcanti encontra registro de capoeira em 1789.

O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti relevou no Arquivo Público do Rio de Janeiro a mais antiga prova documental da existência da capoeira.

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Matéria tirada do
Jornal do Brasil

REVISADO 19 DEZ 2004

Jornal do Brasil

15 de novembro de 1999
Caderno B, p.22 - 1ª Edição

CRÔNICAS DO RIO COLONIAL
20ª semana, 36ª crônica

NIREU CAVALCANTI

O capoeira

O mulato Adão, escravo de Manoel Cardoso Fontes, comprado ainda moleque, tornou-se um tipo robusto, trabalhador e muito obediente ao seu senhor, servindo-lhe nas tarefas da casa.

Manoel resolveu explorá-lo alugando-o a terceiros como servente de obras, carregador ou outro qualquer serviço braçal. Tornou-se Adão deste modo uma boa fonte de renda para seu senhor.

Com o passar do tempo, o tímido escravo, que antes vivera sempre caseiro, tornou-se mais desenvolto, independente e começou a chegar tarde em casa, muito tempo depois do término do serviço. Manoel questionava-o: o que levava à mudança de conduta? As desculpas eram as mais inconsistentes para o senhor. Até ocorrer o que já o preocupava: Adão não mais voltou para casa. Certamente fugira para algum quilombo do subúrbio da cidade.

Para sua surpresa, Manoel foi encontrar Adão por trás das grades da cadeia da Relação. Havia sido preso junto a outros desordeiros que praticavam a capoeira. Naquele dia ocorrera uma briga entre capoeiras e um deles fora morto. Crimes gravíssimos para as leis do reino: a prática da capoeiragem, ainda resultando em morte.

No decorrer do processo constatou-se que Adão era inocente quanto ao assassinato, mas foi confirmada sua condição de capoeira, sendo, por isso, condenado a levar 500 açoites e a trabalhar dois anos nas obras públicas.

Seu senhor, após Adão cumprir alguns meses de trabalho e ter sido castigado no pelourinho, solicitou ao rei, em nome da Paixão de Cristo, perdão do resto da pena argumentando ser um homem pobre e, portanto, muito dependente da renda que seu escravo lhe dava. Comprometeu-se a cuidar para que Adão não mais voltasse a conviver com os capoeiras, tornando-se um deles. Teve o pedido homologado pelo Tribunal em 25.04.1789.

(ANRJ — Tribunal da Relação — cód. 24, livro 10)

Publicado inicialmente com ilustrações de Hélio Brasil. Copyright © 1999-2000, JB Online. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do JB Online para fins comerciais.

notas.

No ano de 1789, Páscoa foi no 12 de abril.

Nireu Cavalcanti publicou 53 crônicas semanais em 1999-2000 no Jornal do Brasil, continuando a sua pesquisa, que desembocou em tese de doutorado de história e livro, trabalhos que interessam a todos que querem se inteirar do contexto daquela notícia de capoeira.


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Crônicas históricas do Rio colonial

capa Nireu Oliveira Cavalcanti
Civilização Brasileira/FAPERJ
Número de páginas: 220
Ano de lançamento: 2004

Crônicas históricas do Rio colonial reúne os acontecimentos no Rio de Janeiro entre os anos de 1700 e 1810. Os textos foram publicados originalmente no Caderno B do Jornal do Brasil, todas as semanas ao longo do ano de 1999.

Segundo a jornalista Regina Zappa, que fez a orelha do livro, Nireu Cavalcanti retrata a alma do Rio de Janeiro colonial na forma de crônicas e pequenos contos extraídos de documentos diversos - de certidões de cartório a processos judiciais - da cidade habitada por índios, portugueses, africanos e mestiços.

Os textos do livro são resultado de meticulosa busca nos arquivos da cidade do Rio e de Lisboa, entre os quais temos, entre outros; no Rio, o Arquivo Geral da Cidade e a Biblioteca Nacional e em Lisboa, o Arquivo Histórico Ultramarino e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Além do valor histórico, jornalístico e literário das crônicas, o material ainda foi utilizado para o doutorado do autor.

Copiado do site da FAPERJ www.faperj.br


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