Logo Capoeira Palmares de Paris www.capoeira-palmares.fr

Association de capoeira PALMARES de Paris.

symbole courrier
contact

 

Melo Morais Filho
Festas e tradições Populares

 
José Alexandre Melo Morais Filho
 
Festas e tradições Populares do Brasil
 
1901

 
índice (acesso a outros trechos)

Tipos de rua

Capoeiragem e Capoeiras Célebres

(RIO DE JANEIRO)

I

Entre as nossas classes populares a dos capoeiras avultou sempre neste país,
assinalando nos primeiros tempos costumes de uma torrente de imigração
africana, e depois uma herança da mestiçagem no conflito das raças.

Como a febre amarella, que não sabemos porque espanta tanta gente e quer-se a
todo o transe debelar, a capoeiragem, que é uma luta nacional, degenerando em
assassinatos, tem merecido perseguição sem descanso, guerra sem condições.
Entretanto na Europa o tifo, a difteria, o colera e mais epidemias produzem
anualmente grande destroços e a ciência não cogitou nunca do seu extermínio, mas
de prevení-la ; os jogos de destreza e de fôrça são regulados em seu exercício,
disciplinados pela arte, não havendo quem se oponha senão aos abusos.
Na Inglaterra há famílias de remadores, de jogadores de sôco ; de indivíduos que se
distinguem por atividades motoras que desenvolvem, que exercitam desde a
infância, e que os torna notáveis pela força muscular.

Êsses jogos, êsses exercícios sobem da derradeira camada popular à mais antiga
aristocracia, e são para o inglês o que os jogos olímpicos eram para os gregos, a luta
para os romanos -- um meio de aperfeiçoamento de formas, um recurso de
combate.

Nas Memórias de lord Byron, conta Th. Moor que, no dia do falecimento da mãe
do ilustre poeta, o cantor da Parisina jogara o sôco com o seu criado.
Lord Palmerston, muitas vêzes depois de calorosas discussões no parlamento,
vestia-se de marinheiro e remava no seu batel ao longo do Tâmisa.

Os portuguêses tem o jogo de pau, os franceses a savate, etc.
Essas lutas, essas aptidões, que variam de povo para povo, mas com o fim que
acima indicamos, concorrem para reunir mais um traço à fisionomia nacional, e
têm merecido de espíritos eminentes sérias reflexões : Darwin e Ribot
socorreram-se dêsses elementos no estudo da generalização das leis da
hereditariedade.

No Brasil, e especialmente no Rio de Janeiro, há uma sub-classe que reclama
distintíssimo lugar entre as suas congêneres e que tem todo o direito a uma nesga
de téla no quadro da história dos nossos costumes -- a dos capoeiras.

O capoeira não é nada mais nem nada menos do que o homem que entre dez e
doze anos começou a educar-se nesse jogo (a capoeiragem), que põe em
contribuição a força muscular, a flexibilidade das artigulações e a rapidez dos
movimentos -- uma ginástica degenerada em poderosos recursos de agressão e
pasmosos auxílios de desafronta.

O capoeira, colocado em frente a seu contendor, investe, salta, esgueira-se, pinoteia,
simula, deita-se, levanta-se e, em um só instante, serve-se dos pés, da cabeça, das
mãos, da faca, da navalha, e não raro que um apenas leve de vencida dez ou vinte
homens.

A navalha e um cacete, que nunca excede de cinquenta centímetros, prêso ao pulso
por uma fina corda de linho, eram-lhe as armas prediletas, nunca fazendo uso das
de fogo.

A semelhança dos boxers na Inglaterra, tivemos excelentes capoeiras nas
eminências da política.

Os arsenais, o exército, a marinha, as classes menos abastadas fornecem
contingentes avultados, e são na máxima parte mulatos e crioulos.

A polícia também os possui, porém desligados da comunhão, detestados, e nos
conflitos com os transfugas são êstes quase sempre cortados, o que segundo a gíria,
quer dizer -- marcados.

Os capoeiras formam maltas, isto é, grupos de vinte a cem, que, à frente dos
batalhões, dos préstitos carnavalescos, nos dias de festas nacionais, etc., provocam
desordens, esbordoam, ferem...

Cada malta tem sua denominação : a Cadeira da Senhora, é da freguesia de
Sant'Ana; Três Cachos, a da freguesia de Santa Rita ; Franciscanos, a de S. Francisco
de Paula ; Flôr da Gente, a da freguesia da Glória, Espada, a do largo da Lapa;
Guaiamú, a da Cidade Nova ; Monturo, a da praia de Santa Luzia, etc.

O capoeira gosta da ociosidade, e entretanto trabalha ; a segunda-feira é para êle um
prolongamento do domingo. Quando se dedica a alguém é incapaz de uma traição,
de uma deslealdade... Ao seu ombro tisnado escorou-se até há pouco o senado e a
câmara, para onde, à luz da navalha, muitos dos que nos governam, subiram.

O seu trajar é caraterístico : usa de calças largas, palitó saco desabotoado, camisa de
côr, gravata de manta e anel corrediço, colete sem gola, botinas de bico estreito e
revirado, e chapéu de fêltro. Seu andar é oscilante, gingado ; e na conversa com os
companheiros ou estranhos, guarda distância, como em posição de defesa.

Esguio e ágil, o capoeira demostra na compleição de aço uma atividade circulatória
verdadeiramente tropical ; e o seu olhar como que mergulha no ânimo do
adversário, surpreendo-lhe as emoções mais súbitas, os expedientes mais rápidos.
Se acontece ser acometido, quando desarmado, machuca o chapéu ao comprido, e
nas evoluções costumadas desvia com eles golpes certeiros.

Êste tipo, entretanto, não é do capoeira transpondo as barreiras coloniais, dessas
falanges que elevaram a arte à altura de uma institução.
O capoeira antigo tinha igualmente saus bairros, o ponto de reunião das maltas;
suas escolas eram as praças, as ruas, os corredores. A malta de Santa Luzia
chamava-se a dos luzianos; a do Castelo, de Santo Inácio ; a de S. Jorge, da lança;
dos ossos a do Senhor Bom Jesus do Calvário: flôr da uva, a de Santa Rita, etc.
Qual o seu pessoal ? Geralmente eram compostas de africanos, que tinham como
distintinvos as côres e o modo de botar a carapuça, ou de mestiços (alfaiates e
charuteiros), que se davam a conhecer entre si pelos chapéus de palha ou de fêltro,
cujas abas reviravam, segundo convenção.

A categoria de chefe de malta só atingia aquêle cuja valentia o tornara inexedível,
e de chefe dos chefes o mais afoito de entre êstes, mais refletido e prudente.
Os capoeiras, até quarenta anos passados, prestavam juramento solene, o o lugar
escolhido para isso eram as tôrres das igrejas. As questões de freguesia ou de bairro
não os desligavam, quando as circunstâncias exigiam o desagravo comum ; por
exemplo : um senhor, por motivo de capoeiragem, vendia para as fazendas um
escravo filiado a qualquer malta ; êles reuniam-se e designavam o que havia de
vingá-lo.

No tempo em que os enterramentos faziam-se nas igrejas e que as festas religiosas
amiudavam-se, as tôrres enchiam-se de capoeiras, famosos sineiros que, montados
na cabeça dos sinos, acompanhavam tôda a impulsão dos dobres, abençoando das
alturas o povo que os admirava, apinhado nas praças ou nas ruas.

A capoeiragem antiga e a moderna tem a sua gíria, a sua maneira de expressão, pela
qual são compreendidos os lances do jogo. Devéras arriscados, difíceis, e
dependendo de rapidez e hábito, não é sem longa prática que conseguem tais
lutadores fazer-se notáveis.

Para darmos uma pálida idéia da gíria e de jôgo, ajustemos por aquela algumas
evoluções dêste.

Um dos preparativos mais rudimentares do capoeira o o rabo de arraia. Consiste
êle na firmeza de um pé sôbre o solo e na rotação instantânea da perna livre,
varrendo a horizontal, de sorte que a parte dorsal do pé vá bater no flanco do
contendor, seguindo-se após a cabeçada ou a rasteira, infalíveis corolários da
iniciação do combate.

Por escorão, entendem êles amparar inesperadamente, com o pé de encontro
ao ventre, o adversário, o que é um subterfúgio, que difere do pé de panzina, que é
o mesmo no resultado, porém que o fazem não como um recurso do jogo, mais
deixando à destreza tempo para varrê-lo.

O passo a dois (gíria moderna) é um sapateado rápido que antecede a cabeçada e a
rasteira ; da qual o acometido se livra armando o clube-X, que quer dizer o
afastamento completo das tíbias e a união dos joelhos, que, formando larga base,
estabelecem equilíbrio, recebendo no embate o salto da botina, que ainda ofende o
adversário.

O tombo de ladeira é tocar no ar, com o pé, o indivíduo que pula ; a
rasteira-à-caçador é o meio ginástico de que se servem para, deixando-se cair sôbre
as costas, ao mesmo tempo que se firmam-se nas mãos, derrubarem o contrário,
imprimindo-lhe com o pé violenta pancada na articulação tíbio-tarsiana.

O Tronco, raiz e fedegoso, talvez o lance mais feliz do jôgo, visto depender de uma
agilidade incrível e considerável solidez muscular, forma a síntese dos arriscados
estudos da capoeiragem.

II

Figuramos uma arena. Os contendores aproximam-se, os olhos cintilam, os
lábios murmuram frases de desdém, de ameaça. Ondulando em movimento
serpentiginoso, balançam os braços, conservando a cabeça e o pescoço na
imobilidade.

Um dêles, enlaçando imprevisto com o braço direito os membros superiores e o
tórax do outro, com a velocidade de um raio, com a presteza do relâmpago, une-se,
flanco, contra flanco, e assim tolhido, escora-lhe na perna os membros inferiores,
revira-o do alto, caíndo-lhe por trás, frio como um cadáver, inerte como a morte.
Não é sempre fatal este lance, pois a arte oferece ainda neste caso expedientes
admiráveis.

As escolas de capoeiragem multiplicavam-se nesta cidade, pertencendo cada turma
de discípulos a esta ou aquela freguesia.

Desde a dos caxinguelês, meninos que iam à frente das maltas provocar bairros
inimigos ; até os mestres que serviam para exercícios preparatórios, esses cursos
regulares funcionavam conhecidos, sendo os mais frequentados o da praia de Santa
Luzia, não falando nas torres da igrejas -- ninhos atroadores dos capoeiras de
profissão.

Alistados nos batalhões da guarda nacional, os capoeiras exerciam poderosa
influência nos pleitos eleitorais, decidiam das votações, porque ninguém melhor
do que eles arregimentava fósforos, emprenhava urnas, afugentava votantes.
Muitos dos comandantes de corpos e grande parte da oficialidade entendiam do
jogo, ou eram habilíssimos na arte.

Os desafios entre as freguesias transmitiam-se por meio de pancadas de sino
convencionais e em horas determinadas.

Os assaltos, os combates se davam nas praças, nas ruas, em sítios mais ou menos
distantes e desertos.

As vezes, interrompendo a marcha de uma procissão, o desfilar de um cortejo,
ouvia-se, aos gritos das senhoras correndo espavoridas, das negras levando os
senhores moços ao colo, dos pais de família pondo a abrigo a mulher e os filhos,
o horroroso Fecha ! fecha !

Os caxinguelês voavam na frente, a capoeiragem disparava indômita, seguindo-se
ao distúrbio cabeças quebradas, lampeões apedrejados, facadas, mortes...
A polícia, amedrontada e sem força, fazia constar que perseguia os desordeiros,
acontecendo raríssimas vezes ser preso este ou aquele, que respondia a processo.
Pertencendo à segunda fase da capoeiragem no Rio de Janeiro, essas cenas tiveram
lugar durante a administração policial de Eusébio de Queiroz e de seus sucessores,
desaparecendo totalmente com a guerra do Paraguai, que não sacabou somente com
os capoeiras, porém assinalou o termo do patriotismo brasileiro.

É geralmente sabido pela tradição que no Senado, na Câmara dos Deputados, no
Ejército, na Marinha, no funcionalismo público, na cena dramática e mesmo nos
claustro havia capoeiras de fama, cujos nomes nos são conhecidos.

Nas garrafadas de março, um dos nossos mais eloquentes oradores sagrados fez
prodígios nesse jogo, livrando-se de seus agressores ; recordamo-nos ainda de um
frade do Carmo, que, por ocasião de uma procissão do Enterro, debandou a
cabeçadas e a rasteiras um grupo de indivíduos imprudentes que o provocaram.

Pergunte-se por aí qual o ator cuja valentia e destreza, como capoeira, eram
respeitadas, e acreditai que a popularidade precisaria subir muito para atingir-lhe
o pedestal.

Quando estudavamos no Colégio de Pedro II, foi nosso lente de francês o bacharel
Gonçalves, bom professor e melhor capoeira.

O Dr. D. M., jurisconsulto eminente e deslumbrante glória da tribuna criminal,
cultivou em sua mocidade essa luta nacional, entusiasticamente levada a excessos
pelo povo baixo, que a afogou nas desordens, em correrias reprovadas, em
homicídios horrorosos.

Pode-se dizer que de 1870 para cá os capoeiras não existem : se um ou outro,
verdadeirament digno desse nome pela lealdade antiga, pela confiânça própria
e pelo conhecimento da arte resta por aí, veiu daquêle tempo em que a
capoeiragem tinha disciplina e dirigia-se a seus fins.

Navalhar a traição, deixar-se prender por dois ou três soldados e espancar a um
pobre velho ou a uma criança, ser vagabundo e ratoneiro, nunca constituiram os
espantosos feitos das maltas do passado, que brigavam freguesia com freguesia,
disputavam eleições arriscadas, levavam à distância cavalaria e soldados de
permanentes quando intervinham em conflitos de suscetibilidade comuns.
O capoeira isolado, naqueles tempos, trabalhava, constituia família a vadiagem
lhe era proibida, não era gatuno, afrontava a força pública e só se entregava morto
ou quase morto.

Como fizemos ver em princípio, as turmas militantes condensavam as classes
operárias e os escravos, expressão nítida da capoeiragem da rua.

Não sendo estranhos ao jogo, portugueses havia que se aliavam às maltas avulsas,
distinguindo-se entre eles homens de inaudita coragem e espantosa agilidade.
Luzidas companhias de batalhões da guarda nacional; de que tinham orgulho os
briosos comandantes, reuniam magnífica rapaziada, de onde eram tiradas praças
para diligências perigosas, servindo igualmente para as campanhas eleitorais.

A prova de que a capoeiragem entrava nos nossos costumes está em que não havia
menino que não botasse o boné à banda e soubesse gingar, nem escolas que se não
desafiassem para brigar, sendo de data recente as lutas entre os famosos colégios
Sabino, Pardal e Vitório.

Hoje que tudo se acha mudado, que se dizem capoeiras gatunos e assassinos, em
que a bobagem dos duelos arma a popularidade e os desfrute, o jogo nacional da
capoeiragem é apenas visto pelo que tem de mau e bárbaro, como se fosse menos
mau e menos bárbaro do que as lutas da mesma natureza usadas por outros povos.
De entre os chefes da malta, dos campeões que mais lustre deram à arte na
capoeiragem pública, uns eram conhecidos por alcunhas, outros pelos nomes
autênticos.

Sendo-nos difícil citar a extensa lista nominal desses valentes, registramos apenas
os nomes daqueles que a tradição tem permetuado na lembrança popular.

O Mamede, o Chico Carne Seca, o Quebra Côco, o Fradinho, o Natividade, o
Maneta, o Bonaparte, o Leandro, o Aleixo Açougueiro, o Bentevi, o Pedro Cobra,
etc... - para não falarmos no capitão Nabuco, um Hercules, o homem de mais
força que tem tido o Rio de Janeiro - estiveram nos galarins do prestígio, nas
eminências de reputação justa e merecida.

Sobrenadando ao esquecimento que envolve os seus mais esforçados
companheiros, o Manduca da Praia jamais foi condenado à mesma pena, pois
o povo repete ainda as façanhas que motiovavam-lhe a nomeada.

Conhecido por toda a população fluminense, considerado como homem de
negócio, temido como capoeira celebre, eleitor crônico da freguesia de São José,
apenas respondeu a 27 processos por ferimentos leves ou graves, saindo absolvido
em tôdos êles pela sua influência pessoal e dos seus amigos.

O Manduca da Praia era um pardo claro, alto, reforçado, gibento, e quando o vimos
usava barba crescida e em ponta grisalha e côr de cobre. De chapéu de castor branco
ou de palha ao alto da cabeça, de olhos injetados e grandes, de andar compassado e
resoluto, a sua figura tinha alguma coisa que infudia temor e confiança.

Trajando com decência, nunca dispensava o casaco grosso e comprido, grande
corrente de ouro de que pendia o relógio, sapatos de bico revirado, gravata de côr
com um anel corrediço, trazendo sómente como arma uma bengala fina da ndia.
O Manduca tinha banca de peixe na praça do Mercado, era liso em seus negócios,
ganhava bastante e tratava-se com regalo.

Constante morador da Cidade Nova, não recebia influências da capoeiragem local
nem de outras freguesias, fazendo vida a parte, sendo capoeira por sua conta e
risco.

Destro como uma sombra, foi no curro da rua do Lavradio, canto da do Senado,
onde é hoje uma cocheira de anorinhas, que êle iniciou a sua carreira de rapaz
destemido e valentão, agredindo touros bravos sôbre o quais saltava, livrando-se.
Nas eleições de São José dava cartas, pintava o diabo com as cédulas.
Nos esfaqueamentos e nos sarilhos próprios do momento, ninguém lhe disputava
a competência.

Um dia, na festa da Penha, o Manduca da Praia bateu-se com tanta vantagem contra
um grupo de romeiros armados de pau que alguns ficaram estendidos e os mais
inutilizados na luta.

O fato que mais o celebrizou nesta cidade remonta à chegada do deputado
português Sant'Ana, cavalheiro distintíssimo e invencível jogador de pau, dotado
de um fôrça muscular prodigiosa.

Santana, que gostava de brigas, que não recuava diante de quem quer que fôsse,
tendo notícia do Manduca, procurou-o.

Encontrando-se os dois, houve desafio, acontecendo àquele soltar nos ares ao
primeiro camelo do nosso capoeira, depois do que bebêram champagne ambos, e
continuaram amigos.

A capoeiragem, como arte, como instrumento de defesa, é a luta própria do Brasil.


Festas e Tradições Populares do Brasil : índice (acesso a outros trechos)
textos históricos
Lucia Palmares & Pol Briand
3, rue de la Palestine 75019 Paris
Tel. : (33) 1 4239 6436
Email : polbrian@capoeira-palmares.fr

Association de Capoeira Palmares de Paris